Focos de calor quase quadruplicam no AM, e Manaus fica sob fumaça

O aumento alarmante dos focos de calor

No mês de setembro, o estado do Amazonas registrou um aumento significativo no número de focos de calor, com 3.726 ocorrências, quase quatro vezes mais do que os 942 registrados no mesmo período do ano anterior. Esse salto alarmante é atribuído a uma combinação de fatores, incluindo a seca extrema, exacerbada pelo fenômeno climático El Niño, que contribuiu para a propagação descontrolada de queimadas. O fogo tornou-se uma ferramenta comumente utilizada por produtores rurais para a renovação de pastagens e limpeza de áreas desmatadas, mas as condições climáticas deste ano favoreceram incêndios de grandes proporções.

A situação ficou crítica em Manaus, que amanheceu coberta por uma densa camada de fumaça, levando as autoridades a recomendarem que a população não saísse de casa sem máscara. A qualidade do ar na cidade foi classificada como a pior do Brasil em determinados momentos, refletindo os altos índices de poluição provenientes das queimadas.

Impacto na qualidade do ar em Manaus

Com a fumaça oriunda das queimadas, Manaus enfrentou sérios problemas de qualidade do ar. O Índice de Qualidade do Ar (AQI) indicou níveis excessivos de partículas nocivas, resultado das queimadas que não apenas consumiram as áreas rurais próximas, mas também foram intensificadas por incêndios em municípios adjacentes à capital, como Autazes e Careiro. O ar poluído tem causado preocupações significativas à saúde dos moradores, que agora enfrentam um cenário de crise ambiental.

queimadas

A Defesa Civil foi acionada para alertar a população sobre os riscos, e escolas foram fechadas. Para agravar a situação, as condições climáticas com baixa umidade e ausência de chuvas dificultaram a dispersão da fumaça, fazendo com que os efeitos das queimadas fossem sentidos de forma mais intensa.

Origem das queimadas e ações governamentais

As queimadas na região têm raízes históricas em práticas culturais e econômicas, especialmente no contexto rural, onde a queima é utilizada para limpar áreas para pastagem. Luiz Aragão, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), aponta que estas atividades costumavam ocorrer de maneira controlada. No entanto, neste ano, a falta de chuvas e as altas temperaturas permitiram que o fogo se espalhasse, tornando-se descontrolado.

Embora o governo do Amazonas tenha decretado uma proibição ao uso do fogo em 9 de setembro, após uma série de focos de queimadas que já ultrapassavam os números do ano anterior, a eficácia dessa medida ainda está sendo questionada. O Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) solicitou investigações sobre a atuação do governo no combate às queimadas e incêndios florestais.

Condições climáticas e desmatamento

As condições climáticas na Amazônia, marcadas por uma seca severa e prolongada, têm sido concertadas ao impacto do El Niño, que este ano é considerado forte. O aquecimento das águas do Oceano Pacífico reduz a precipitação nas regiões ao norte do Brasil, incluindo o Amazonas. A última chuva significativa em Manaus foi registrada em 3 de outubro, e a falta de novas ondas de chuva alimenta ainda mais o problema das queimadas.

Além disso, a vegetação ressecada se torna um combustível ideal para a propagação do fogo. As queimadas, muitas vezes indicativas de práticas de desmatamento, continuam a colocar em risco a saúde pública e a biodiversidade da região.

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