Pela segunda vez, Manaus registra péssima qualidade do ar

Índices alarmantes de poluição em Manaus

Manaus está enfrentando uma grave crise de qualidade do ar, com a cidade registrando, pela segunda vez em apenas 17 dias, níveis alarmantes de poluição. A plataforma de monitoramento da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) aponta que, na madrugada de 9 de outubro, o índice de material particulado fino (PM2,5) alcançou 350,9 µg/m³, um número mais de 23 vezes superior ao limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde. O fechamento das janelas e o uso de máscaras se tornaram medidas comuns entre os manauaras devido à péssima qualidade do ar, que resulta das queimadas e incêndios florestais exacerbados na região.

Além disso, no dia 23 de setembro, a qualidade do ar já havia registrado índices de 300 µg/m³, revelando uma tendência preocupante em relação à poluição atmosférica na capital amazonense. As chuvas recentes, que normalmente poderiam atenuar a fumaça, em vez disso, intensificaram a poluição em áreas específicas da cidade, especialmente na zona sul.

Causas da qualidade do ar insustentável

A péssima qualidade do ar em Manaus é atribuída, em grande parte, às queimadas, tanto em áreas urbanas quanto no entorno da cidade. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o estado do Amazonas viu um aumento de 55% nas queimadas, passando de 4.539 registros no ano anterior para 7.039 neste ano, de janeiro até o início de outubro. O mês de setembro isoladamente teve um aumento impressionante de 295,5%, refletindo uma intensificação das práticas de queimadas que geram fumaça e poluição.

péssima qualidade do ar

Além das queimadas provocadas pela agropecuária e desmatamento, um incêndio em um lixão na zona leste de Manaus, que começou no dia 6 de outubro, também contribuiu significativamente para a degradação da qualidade do ar. Segundo o Corpo de Bombeiros, o incêndio consumiu uma área ampla, disseminando fumaça densa pela cidade e impactando ainda mais a saúde pública.

Reação do governo e medidas de emergência

Em resposta à situação crítica, o governo do Amazonas decretou situação de emergência em todos os 62 municípios do estado. A decretação foi feita com base nas projeções de seca severa e a previsão de chuvas abaixo da média, processos relacionados ao fenômeno climático El Niño. Apesar da gravidade da situação, as ações práticas para mitigar os danos e melhorar a qualidade do ar permanecem questionáveis.

O Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo informou que, em maio, o estado recebeu R$ 45 milhões para equipar o corpo de bombeiros. No entanto, a efetividade dessas medidas foi debatida, com críticas sobre a falta de brigadistas e recursos para combater o fogo nas áreas mais afetadas.

Impactos na saúde da população

Os efeitos da péssima qualidade do ar têm sido sentidos de forma alarmante pela população. Moradores reportam sintomas e condições de saúde relacionadas à poluição, incluindo dores de cabeça, tosse, inflamação da garganta e desconforto respiratório. Uma professora da cidade relatou que, em certos dias, a gravidade dos sintomas a obriga a se ausentar do trabalho. As autoridades sanitárias têm recomendado medidas preventivas, como o uso de máscaras e a internação para tratamento de doenças respiratórias.

Situação de emergência em municípios vizinhos

Os problemas de qualidade do ar e incêndios não se restringem a Manaus; municípios vizinhos, como Itacoatiara, também enfrentam altos índices de poluição. A fumaça decorrente de incêndios nas áreas rurais circundantes está afetando significativamente a vida dos moradores desses locais. A situação coloca em evidência a necessidade urgente de uma resposta coordenada e eficaz em toda a região, visando não apenas o combate aos incêndios, mas também a proteção da saúde pública e do meio ambiente.

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