Cenário crítico em Porto Velho
Após semanas de dificuldades enfrentadas por Manaus devido à fumaça das queimadas do Amazonas, a cidade de Porto Velho, em Rondônia, também se vê afetada pela mesma poluição. Em 13 de outubro, a visibilidade no Rio Madeira, que corta a capital rondonense, foi severamente comprometida, resultando em um cenário turvo. A prefeitura local informou que dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e imagens do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) confirmaram que a fumaça foi trazida pelos ventos da região.
Durante a tarde daquela terça-feira, a qualidade do ar em Porto Velho foi considerada pior em comparação à de Manaus, que já havia sido marcada como a cidade com o ar mais poluído do Brasil nas semanas anteriores. Segundo a IQAir, empresa que monitora a poluição atmosférica, Porto Velho registrou um índice de 107 US AQI, enquanto Manaus estava em 103 US AQI. Esses valores indicam condições insalubres para grupos sensíveis, como crianças e idosos.
Queimadas e seus efeitos
A origem da fumaça das queimadas está diretamente associada a incêndios florestais na Amazônia. A prefeitura de Porto Velho enfatizou que a situação foi agravada pela estiagem e pela baixa umidade. A Secretaria de Meio Ambiente orientou a população a se manter hidratada e a tomar precauções, especialmente em relação a crianças e pessoas com doenças respiratórias.

O Inmet confirmou que grande parte da fumaça se originou de focos de incêndio no Amazonas e que também existem ocorrências de queimadas em Rondônia. Desde setembro, incêndios têm sido registrados principalmente na parte sul do estado, nas áreas metropolitanas e em municípios próximos a Manaus. Estatísticas do Painel do Fogo, que está sob a responsabilidade do Ministério da Defesa, indicaram que, nos primeiros dez dias de outubro, foram contabilizados 1.380 focos de incêndio apenas no Amazonas, quase quatro vezes mais do que no mesmo período do ano anterior.
No entanto, em Porto Velho, os dados do Inpe mostram uma redução de 32,8% no número de queimadas em comparação com o mesmo período do ano passado. A cidade registrou 680 focos este ano, em comparação aos 1.013 do ano passado. A Prefeitura informou que mantém medidas de prevenção e combate aos incêndios, que incluem fiscalização e ações de conscientização.
Pesquisadores alertam que a gravidade das queimadas é intensificada pela seca que afeta a Região Norte, associada aos efeitos do fenômeno El Niño. O prolongamento da estiagem diminui a umidade da vegetação e provoca um acúmulo de material combustível no solo, contribuindo para a dispersão da fumaça nas cidades atingidas. As operações de combate serão mantidas ao longo da semana, sem uma previsão de melhorias nas condições climáticas na região.


