Queimadas quase quadruplicam no Amazonas, e Manaus fica sob fumaça; entenda o cenário

Cenário das queimadas em setembro

O estado do Amazonas enfrenta um aumento alarmante nas queimadas, com datações de setembro de 2026 mostrando um total de 3.726 focos de calor. Este número representa quase quatro vezes a quantidade registrada no mesmo mês do ano anterior, quando foram contabilizados apenas 942 focos. Essa alta nas queimadas no Amazonas é resultado de um período de seca severa, exacerbada pelo fenômeno climático El Niño, que reduziu drasticamente as chuvas na região. Entre julho e setembro, a capital, Manaus, registrou apenas 44 milímetros de precipitação, muito menos do que os 202 milímetros esperados para o período.

A antiga prática de queimadas para renovação de pastagens e o consequente agravamento das condições climáticas criaram um cenário propício para a propagação do fogo. A situação se tornou ainda mais preocupante após um agosto sem chuvas, quando a média esperada era de 56 milímetros, resultando em um cenário crítico para o período.

Alerta da Defesa Civil e qualidade do ar

Nesta sexta-feira, Manaus acordou sob uma espessa camada de fumaça, o que levou a Defesa Civil a enviar alertas aos celulares da população, recomendando que as pessoas não saíssem de casa sem máscaras de proteção. As escolas municipais encerraram suas atividades, e a prefeitura declarou estado de atenção devido à pior qualidade do ar na cidade, que segundo o Índice de Qualidade do Ar (AQI⁺), se mostrou a mais crítica do Brasil no dia em questão, devido ao acúmulo de partículas provenientes das queimadas.

queimadas no Amazonas

Os efeitos da fumaça são visíveis, reduzindo a visibilidade nas ruas e causando preocupações com a saúde da população. Dados indicam que os focos de queimadas no Amazonas estão respeitando a tendência verificada em anos anteriores, onde a queima é utilizada para preparar terras e eliminar áreas de capim.

Entretanto, a situação de seca e as altas temperaturas impediram que as chamas fossem controladas, resultando em incêndios que ultrapassam rapidamente áreas destinadas à pastagem, atingindo também florestas e áreas de vegetação nativa.

Origem das queimadas e impactos na saúde

A fumaça que cobre Manaus não provém apenas de incêndios locais, mas também de queimadas realizadas em municípios circunvizinhos, como Autazes e Careiro, na margem direita do rio Amazonas. De acordo com especialistas, mesmo que, até agosto, a área queimada na Amazônia estivesse abaixo da média histórica, a combinação do clima seco e das queimadas em áreas já desmatadas contribui significativamente para a nuvem de fumaça que está afetando a qualidade do ar.

Com a proximidade da estação das chuvas, que se inicia em outubro, o volume e a intensidade das queimadas devem aumentar, já que muitos produtores recorrem ao fogo para facilitar a limpeza das terras. Essa dinâmica, associada ao desmatamento contíguo e à falta de um controle efetivo, torna a saúde pública e a qualidade ambiental em risco, demandando ações mais rigorosas por parte das autoridades competentes.

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